Em quase cinquenta anos, a Route du Rhum escreveu histórias de família. Vários skippers de 2026 largam com um sobrenome, uma lembrança ou um barco que os liga a edições passadas.
Tanguy Caradec, quarenta anos depois do pai
Em 1986, Loïc Caradec era um dos grandes nomes da vela oceânica. Engenheiro formado pela Supélec, ele projetou e comandou o maxicatamarã Royale II, com o qual venceu a primeira Transat Québec-Saint-Malo, em 1984. Durante a Route du Rhum de 1986, o catamarã emborcou numa tempestade. Dois dias depois, Florence Arthaud encontrou o barco virado, sem nenhum sinal do skipper (Wikipedia FR, Loïc Caradec).
Quarenta anos depois, seu filho Tanguy Caradec larga na Vintage Mono, num monocasco de 50 pés com as cores da Eurvad. Amador experiente, que já correu a Fastnet e a Sydney-Hobart, ele disputa sua primeira grande regata oceânica em solitário. "Não sou profissional de vela oceânica, mas cresci com o oceano e com essa história de família", diz. "Participar da Route du Rhum é um jeito de fechar um ciclo, prestar uma homenagem e levar um sonho até o fim" (Figaro Nautisme).
Basile Bourgnon, filho do bicampeão
Laurent Bourgnon venceu a Route du Rhum duas vezes, em 1994 e 1998. O suíço desapareceu em junho de 2015 durante um mergulho no atol de Toau, na Polinésia Francesa (Wikipedia FR, Laurent Bourgnon).
Seu filho Basile Bourgnon correu sua primeira Transat Jacques Vabre aos 17 anos, em 2019. "Ter o sobrenome Bourgnon não passa despercebido. Eu assumo e tenho orgulho disso", disse na época (Figaro Nautisme). Em 2026, ele corre na Ocean Fifty a bordo do Edenred. Os organizadores elogiam sua "energia da juventude" numa frota que perdeu o atual campeão (Route du Rhum).
Damien Seguin, o menino de Guadalupe
Damien Seguin cresceu em Guadalupe. "Eu tinha 10 anos quando Florence Arthaud venceu, e tenho muitas lembranças da Route du Rhum", conta (Route du Rhum). Naquele ano, 1990, ele subiu a bordo de um trimarã na chegada: o Fujichrome, velejado por Mike Birch, o vencedor de 1978. "Eu tinha 10 anos quando pisei neste barco" (Mers et Bateaux).
Trinta e seis anos depois, ele veleja esse mesmo trimarã, que depois virou o Fujicolor II de Loïck Peyron, na Vintage Multi, com as cores da Arkéa e da Handicap International. Nascido sem a mão esquerda, Seguin é bicampeão paralímpico (2004 e 2016) e completou duas Vendée Globe (Wikipedia FR, Damien Seguin).
Os Pilliard, pai e filho na mesma linha
Outro laço de família, desta vez no presente: Romain Pilliard corre na Vintage Multi com o Use It Again, e seu filho Titouan, de 20 anos, na Vintage Mono com o Use It Again for Youth. Titouan é o skipper mais jovem da frota (Figaro Nautisme).
Esses skippers são apresentados com seus rivais em os Vintage Mono, os Vintage Multi e os Ocean Fifty. A edição fundadora está em 1978: 98 segundos e um velejador perdido.